domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Batalha do Seival - Curiosidades

 História

A batalha do Seival foi um conflito militar que ensejou a proclamação da República Rio-Grandense por Antônio de Sousa Neto. O embate deu-se nos campos dos Meneses, cruzando o arroio Seival.

Com o objetivo original de derrubar o presidente da província, apenas, os revoltosos gaúchos enfrentaram as tropas imperiais. Destacado por Bento Gonçalves, o coronel Neto deslocou-se, no início de setembro de 1836, à região de Bagé, onde encontrava-se o comandante imperial João da Silva Tavares, vindo do Uruguai. A primeira brigada de Neto, com 400 homens, atravessou o arroio Seival e encontrou as tropas de Silva Tavares sobre uma coxilha, com 560 homens. Durante a tarde de 10 de setembro de 1836, Silva Tavares avançou sobre a coxilha, e os revoltosos defenderam-se usando lanças e espadas.


Inicialmente houve pequena vantagem das forças imperiais, mas o cavalo de Silva Tavares, com o freio rebentado na peleia, disparou em velocidade, causando a impressão de fuga, mesmo entre seus comandados. A confusão entre eles foi aproveitada pelos cavaleiros de Neto, que atacaram com força redobrada. O resultado deste mal-entendido foi ficarem os revoltosos quase intactos, enquanto houve 180 mortos, 63 feridos e 100 prisioneiros do lado dos imperiais. Entre os prisioneios estava João Frederico Caldwell.

Historia Do Cavalo Crioulo

História do Cavalo Crioulo



Tempo houve em que só tu te aventuravas com o homem no deserto; foste a carruagem, a diligência, a carreta, o único veículo, o único meio de transporte. Teu casco lançou o batismo às planuras da América, ao solo misterioso de seus bosques, as suas ásperas coxilhas; tua crina foi o primeiro penacho da civilização eriçado pelo hálito do pampeiro.
Delfino M. Riet – “O Cavalo Crioulo”.
Definição da Raça Crioula
É o conjunto de animais descendentes dos cavalos trazidos da península ibérica, no século XVI, quando pela conquista da América. Adquiriram características únicas e próprias após quatro séculos de adaptação e evolução no meio ambiente sul americano.
Origem
O cavalo crioulo tem sua origem na população eqüina da península ibérica, mais precisamente nos territórios de Portugal e Espanha do século XV. Naquela época, várias raças eram criadas na região, porém, acredita-se que o cavalo crioulo é originário de duas, sendo elas:
Andaluz: Tem pelo menos quatro mil anos de história e é conhecida como uma raça guerreira. Sofreu grande influência dos cavalos trazidos do norte da África pelos mouros que estiveram presentes, na península ibérica, por oito séculos.
Jacas: Também conhecida por Rocines. Antiga raça de cavalos nativos espanhóis das regiões da Galícia, Navarras e Andaluzia. Eram conhecidos pela valentia e resistência.
A partir da chegada de Colombo na América, em 1492, várias foram as expedições espanholas que trouxeram estes cavalos para o novo continente. Os Andaluzes e os Jacas teriam sido escolhidos para cruzar o oceano por serem os mais resistentes e aptos para afrontar as dificuldades no novo continente; e pelo fato dos portos de embarque das expedições estarem localizados nas regiões onde estes cavalos eram criados.
Introdução na América
A primeira vez que os cavalos ascendentes dos Crioulos tocaram o solo americano foi em 1493, quando Cristovão Colombo desembarcou na Ilha de São Domingos na sua segunda expedição ao novo continente. A partir de então, estes cavalos espalharam-se pela América, durante todo a século XVI, a partir de três pontos de entrada, sendo eles:
Ilha de Santo Domingo: Foi o primeiro local de chegada. Em seguida passaram para o continente, entrando pela Panamá e Colômbia. Pizarro os introduziu no Peru, tornando-se, a região de Charcas, um grande centro de criação de equinos. Daí o cavalo foi levado ao Chile, por Valdívia, e, em 1548 entrou em território argentino, na região de Tucuman. Em 1573 chegou nas províncias argentinas de Córdoba e Santa Fé e, finalmente, em Buenos Aires e ao pampa;
Rio da Prata: Pedro de Mendonza desembarcou no Rio da Prata, em 1535, para fundar Buenos Aires. Em sua expedição havia 72 eqüinos que viriam a ser considerados de extrema importância para a formação do cavalo crioulo argentino.
Costa Brasileira: O desbravador Cabeza de Vaca chegou a Santa Catarina, em 1541, com 46 dos 50 cavalos que partiram da Espanha. Com eles, atravessou o território brasileiro até a cidade de Assunção, no Paraguai. Em seguida, foram introduzidos no chaco argentino para depois atingirem o Rio da Prata.
O século XVI foi marcado pelo desbravamento e assentamento no novo território. Estes cavalos, disseminados ao longo deste século na América, foram de fundamental importância para o sucesso destas empreitadas.
Nasce a Raça Crioula
A partir do século XVII, muitos cavalos foram perdidos ou abandonados ao acaso. Passaram a ser criados livres, formando inúmeras cavalhadas selagens distribuídas pela imensidão da América, com suas cordilheiras e pampas.
Durante o período de formação da raça, as inúmeras manadas, espalhadas pelo novo continente, tiveram diferentes destinos. Nos Estados Unidos e México, as prolongadas guerras e o cruzamento com outras raças fizeram desaparecer os cavalos descendentes dos crioulos. Na Colômbia e Venezuela, as altas temperaturas, a alimentação e a geografia local alteraram em muito a aparência e a estatura dos cavalos.
Os crioulos, da forma como hoje são conhecidos, ficaram concentrados, principalmente, no sul da América, onde hoje está a Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e o sul do Brasil. Durante cerca de quatro séculos, a raça crioula foi forjada através da seleção natural. Os cavalos foram perseguidos por homens e predadores, passaram sede, fome e precisaram agüentar temperaturas extremas, desde as fortes geadas do inverno até o rigoroso sol do verão. A raça crioula foi moldada desta forma, em um ambiente hostil onde somente os mais fortes sobreviviam e conseguiam passar para gerações futuras seus genes.
Em meados do século XIX, após este período evolutivo, os fazendeiros do sul da América começaram a tomar consciência da importância e da qualidade dos cavalos crioulos que vagavam por suas terras. Esta nova raça, bem definida e com características próprias, passou a ser preservada desde então, vindo a ganhar notoriedade mundial a partir do século XX, quando várias associações foram criadas e, através delas, o valor do cavalo crioulo foi exaltado e comprovado.

Diogo Osorio Coelho

O valor do Cavalo Crioulo - Joca Martins


Quem vive no mato conhece madeira
Quem faz a farinha conhece o monjolo
Quem sabe das voltas da lida campeira
Conhece o valor do cavalo crioulo
Não teme a intempérie, um forte não cansa
Cavalo que sabe o que tem a fazer
É o pingo do pai, do avô, da criança
Valente na lida, fiel no lazer
Na marcha, no freio, no enduro, no laço
Ou no anonimato de alguma invernada
Campeiro e cavalo, com chuva e mormaço
São velhos parceiros de lida e de estrada
Cavalo crioulo se vê nessa imagem
A própria querência que nunca se esgota
Irmão confidente daqueles que trazem
A marca dos loros timbrada nas botas
Por isso este pingo faz parte da gente
Do nobre, do rude, do rei e vassalo
Que mesmo em caminhos dos mais diferentes
Seguimos montados no mesmo cavalo
Cavalo crioulo um tesouro do pago
Tu és o atavismo que nunca tem fim
Que embala a tropilha dos sonhos que trago
Na alma crioula que há dentro de mim!

Com O Coração Nas Esporas - Joca Martins

Quem traz o campo num floreio de cordeona,
E um tilintar de “choronas” nas madrugadas tropeiras,

Tem neste fundos o berro da gadaria
Orquestrando as sesmarias, num concerto de fronteira.

Por “orelhano”, não tenho marca e sinal
Par de rédeas e um bocal me bastam pra ser feliz
E toda vez que estendo um “xucro” na estrada,
Sinto a alma enraizada no garrão do meu país.

Sou do Rio Grande, sou da pátria de à cavalo
Por isso que não me calo pras modas que vem de fora

Chuva guasqueada e geada grande não entanguem,
Quem tem a pampa no sangue e o coração nas esporas!

Minha rebeldia tem sotaque e procedência
Cerne puro de querência templado pelo rigor,
Todo “pampeano”, que canta a terra nativa

Conserva uma história viva
mesmo depois que se for.
Nas campereadas forjei a sina vaqueana,
Sovando basto e badana, groseando casco de pingo

Firme na crença, de que a vida se ilumina
No sorriso de uma china numa tarde de domingo.
Nalgum bolicho, na volta de um corredor,

Já fui peão e fui senhor oitavado junto à copa
Se me extraviei, campeando algum movimento
Fui me encontrar, pelo tempo, nalguma ronda de tropa.